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Todo o modo de comportamento humano adquirido por aprendizagem ou por simples exercício é normalmente definido por hábito que também é uma força essencialmente conservadora com tendência reprodutiva dos mesmos actos e sempre do mesmo
modo.
Existem hábitos que se transformam em rotina e estes encontram-se em patamares sociais e familiares perigosos, pois recusam inovação, opõem-se ao progresso, acomodam-se pelo subdesenvolvimento e ficam apáticos ao que em seu redor se
passa.
Por falta de discernimento e coerência de esforço, podemos não cultivar bons hábitos, podemo-nos estar a corromper física ou moralmente, então, o hábito degenera-se em vício, este aprisiona-nos bloqueando completamente a voz da razão. Deixamos que as nossas emoções se espalhem livremente. Este viver cria em nós fraquezas repetidas e com o tempo todos os nossos procedimentos passam a realizar-se sem a intervenção da atenção e dispensam a reflexão e a vontade. Somos prisioneiros dos nossos hábitos, não passando de meros robots comandados pelos nossos vícios. Penso que tem fundamento, quando se diz que um viciado é pior que um
perverso.
Há pessoas que tem por hábito fumar e/ou beber e se optassem por abandonar tais hábitos, deparavam-se com elevada dificuldade. São necessidades que nós próprios criamos. Entranham-se em nós profundamente com uma tendência adquirida e quantas vezes invencível para o uso ou práticas destes
actos.
Não obstante a dificuldade de combate, os hábitos assim como se adquirem também se eliminam. O processo de desaparição é o oposto ao da aquisição.
Há hoje quem opte pela supressão radical. Este método heróico (se conseguir) requer grande energia inicial porque os primeiros combates são verdadeiramente difíceis e dotados de grande violência interior. Mas pouco a pouco o hábito cede e a luta torna-se menos penosa, por outro lado a alegria do êxito que se alcança é a compensação e estímulo para continuar e ainda porque as vitórias mais difíceis são as mais
saborosas. Há também quem recorra ao método da eliminação progressiva. Por exemplo, o fumador e o bebedor, podem preferir o sistema de fumar e beber gradualmente menos. O período inicial não será tão penoso mas em contrapartida ao menor desfalecimento pode perder num dia o que levou semanas ou meses a conseguir. "Uma só derrota pode anular cem vitórias" Alexander Bain
(1818-1903).
Existe ainda o processo de substituição que se fundamenta na aquisição de um hábito contrário aquele que se quer destruir. Os fumadores que procuram desviciar-se sabem que os momentos mais difíceis são os de desocupação, porque se apodera deles aquela sensação de que alguma coisa lhes falta. Ao passo que a ocupação exerce um papel substituto do vício.
O tempo livre deixa o viciado sem defesa perante o desafio e a tentação que o vício insatisfeito faz pesar a todo o momento sobre a
vontade.
Seja qual for o método procurado para exterminar o vício nunca se deve fugir a ele como por exemplo não sair de casa, ir para a cama mais cedo, fugir de quem fuma ou de quem bebe, evitar festas ou outros ambientes sociais …
Não, o vício tem de ser encarado de frente não lhe podemos virar as costas porque ele depressa nos agarra, tem de haver poder de iniciativa, motivação e uma capacidade de decisões e persistir nelas até à obtenção dos fins propostos, isto é, força de
vontade.
O VÍCIO TEM DE SER DOMINAVEL, NUNCA DOMINADOR
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