|
Apreciados leitores, foi com intencionalidade esta pausa de três meses nas minhas crónicas mensais. Assim sendo, este meu procedimento, deveu-se à falta de assuntos ou temas para desenvolver. Tendo eu um sentido critico-construtivo (apontar o que me parece estar mal a fim de ser reparado), observei de que nada havia a advertir, pois com efeito, os semáforos já funcionam, nas valetas já nada de nauseabundo corre, o plano de actividades é cumprido ao pormenor, o rio é um local de lazer assaz satisfatório (a redução do areal e a ampliação da torga-ordinária é um facto), a nova entrada no cemitério está como a lei determina (dificultar o acesso a deficientes), a rua do Souto junto à EN 202 foi alargada e transfigurada para melhor (levantou-se a calçada para impedir a passagem), os problemas da freguesia estão todos resolvidos (não foram precisos abaixo-assinados de origem popular, nem existem reclamações de qualquer espécie), as ruas estão todas alcatroadas (excepto as que dão acesso ás moradias dos nossos autarcas por uma questão de principio), as decisões são assentes numa base democrática sem reparo, onde a censura é ignorada e a lei anda de mão dada com a grei, apoiando-se num principio fundamental: _ "Quem não está connosco … está contra
nosco".
Isto sim, isto é uma freguesia maravilhosa, uma freguesia de onde ninguém quer sair, uma freguesia onde não há pressões políticas, em suma uma freguesia de referência onde existe uma harmonia contagiante. Quando assim é… pouco há para dizer, o meu espírito crítico atrofia-se perante tal paraíso e a minha vontade de escrever esvai-se… enfim.
Não existe perfeição mas existe vontade de a aproximar, não existe paraíso terreno mas existe vontade de o acercar, não existe sociedade irrepreensível mas existe vontade de a melhorar … É esta a vontade que falta aos que tem o poder, aos vaidosos, aos que se servem dos cargos, aos que se aclamam com pompa e circunstancia … é esta a vontade que falta aos que estão a mais.
A Câmara Municipal de Viana do Castelo, lança periodicamente uma revista com o título ECOS DO MUNICIPIO que tem como assunto a divulgação das obras mais importantes de todo o concelho. Na edição de Julho deste ano, como não poderia deixar de ser a nossa freguesia também vem lá referenciada com uma obra de vulto (cerca de oitenta metros de reparação de um empedrado já concluído há quase dois anos) … miséria. Esta pobreza franciscana ajusta-se perfeitamente ao vácuo mental existente entre quem manda.
A ociosidade, é a mãe de todos os vícios. Aqui, não se passa nada, aqui o tempo tornou-se passivo e preguiçoso com o consentimento é geral. Acabe-se de uma vez por todas com estas férias prolongadas. Seja-se mais hábil, mais perspicaz, e mais talentoso para poder sair desta apatia mole e pachorrenta em que se encontra a nossa freguesia.
|