Repositório de Crónicas

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Penso, logo escrevo II
José António Martins
Ago 2003

O progresso de qualquer país, concelho ou freguesia prende-se para alguns simplesmente na construção, edificação e na realização de projectos vistosos, os restantes concordam na íntegra com os anteriores, mas reivindicam que se deve ter em conta a renovação, a manutenção, a conservação e nunca ignorar a vertente social e cultural. 

Diz-nos a História que houveram obras começadas num século e findadas no outro seguinte porque foram interrompidas e arrastadas no tempo, devido à sua grandiosidade, ou por falta de meios logísticos de trabalho ou ainda porque quem as arquitectava já não era quem as concluía. Hoje, começam-se obras que no seu decorrer normal pouco mais levariam que alguns meses, mas interrompem-se e prolongam-se dois, três ou quatro anos para serem concluídas. Este atraso não é propriamente devido à falta de meios de qualquer ordem mas para se usufruir outros dividendos. 

O voto autárquico deve ser um exame minucioso do serviço prestado ao longo de todo o período ao qual se foi incumbido para o efeito, e não o serviço que se prestou durante os últimos três meses pois deste modo estamos a dar carta branca a quem nos atira areia para os olhos. Ao estudo sério, cuidado e aprofundado dos trabalhos que se devem desempenhar durante um determinado tempo chama-se Plano de Actividades. Os trabalhos deste plano devem ser distribuídos pelo tempo afim de evitar que haja período de férias de um ano ou mais. Assim evita-se a pressa, a confusão e a frágil execução dos trabalhos.

Neste tipo de actividade político-social existem sempre dois órgãos, um deliberativo e outro executivo. Se o primeiro for amorfo em vez de activo e dinâmico com capacidade para propostas válidas e úteis à sociedade que representa, em vez de fazer uso da cabeça com toda a sua capacidade de raciocínio e inteligência, a usar simplesmente para desferir movimentos na vertical, então o poder executivo nada faz ou faz o que lhe convém. Quem manda deve dar as mãos e unir-se em torno de um objectivo comum (melhorar a qualidade de vida dos seus concidadãos), deve também ter em conta que a polivalência de ideias tem de ser vista de uma forma salutar e imprescindível para o bom ambiente social e democrático.

Veste-se de verde a Esperança e as nossas mentes adquirem a mesma tonalidade, sempre acreditando que no futuro a nossa qualidade de vida irá subindo nos degraus da nossa exigência. É neste âmbito que escrevo, solicitando e alertando para que todos os habitantes da nossa freguesia se sintam como anseiam e merecem.

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