Repositório de Crónicas

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A Emigração
José António Martins
Set 2003

Em meados do século XX na sociedade portuguesa imperavam a fome, a pobreza e o colapso económico que eram frutos da segunda guerra mundial. As famílias eram numerosas e viviam numa dificuldade impar, não havia que comer, não havia que comprar e a escassez de alimentos agravava-se devido à austeridade imposta pelo governo da época. A oferta do trabalho era nula e perante este cenário sombrio não restava mais do que procurar fora o que não tínhamos no nosso país. Deu-se então um fenómeno social: - A Emigração.

Este fenómeno também foi originado por outras circunstâncias de vária ordem e de diversa natureza, como por exemplo: - As perseguições de natureza politica, a falta de liberdade de expressão, a guerra nas antigas colónias e a fuga ao serviço militar.

Eis pois, os motivos pelos quais se deu o êxodo.

Segundo a estatística, os países mais procurados foram os mais industrializados da Europa ocidental como a França, a Alemanha, o Luxemburgo e mais recentemente a Suiça. Oficialmente foram registados cerca de um milhão de pessoas que saíram do Norte de Portugal entre 1950 e 1980. Mas não foi só a Europa o destino dos portugueses, sabe-se que neste momento existem 4,6 milhões de portugueses espalhados por todo o mundo, sendo distribuíos do seguinte modo:

- Europa: 1.336.700    África: 564.000    América do Norte: 1.000.000    América Central: 35.000    América do Sul: 1.600.000    Ásia: 30.000    Oceânia: 55.000.

Falta ainda adicionar a estes números, muitos outros emigrantes que vivem na clandestinidade.

Em busca do incerto e do incógnito perigo debate-se por uma fama que o exalte e lisonjeie. Parte para o estrangeiro e ali se fixa em condições precárias. Cabanas cobertas de zinco, onde o frio se instala à mercê da sua vontade, a água da chuva que de enxurrada penetra a seu belo prazer na sua habitação, vive a favor das intempéries das doenças afim de forrar mais uns cobres para a subsistência da família que deixara em Portugal. Desconhecedor da língua estrangeira, a solidão, as saudades, as lágrimas e os sacrifícios eram a sua companhia mês após mês, era ainda confrontado com atitudes xenófobas e racistas. Triste era a sorte e estranha a condição.

Estas foram as condições que muitos dos nossos emigrantes enfrentaram anos e anos a fio. Valeu a pena? Certamente que sim, mas deixou profundas cicatrizes tanto a nível social e cultural como a nível familiar.

Não obstante todas estas situações críticas, os portugueses conseguiram melhorar as condições de vida através de um espírito forte de trabalhadores e lutadores persistentes, atributos que os classificam e que lhes foram reconhecidos por todos os países por onde se espalharam. Com efeito, puderam chamar até si as suas famílias e aí radicados passaram a ter uma vida que um dia sonharam, uma vida sem angustia e uma vida sem solidão. A maioria dos nossos conterrâneos emigrantes escolhe o mês de Agosto para passar as suas férias na terra natal e vemos que são pessoas felizes, triunfantes e realizadas.

Foi bom para eles, foi óptimo para os seus familiares, mas não nos podemos esquecer como eles contribuíram para o progresso do nosso país. A construção de casas, os movimentos bancários e muitos outros investimentos que efectuaram em Portugal não podem ser esquecidos, eu agradeço, nós agradecemos… Portugal agradece.

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