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Em
meados do século XX na sociedade portuguesa imperavam a fome, a
pobreza e o colapso económico que eram frutos da segunda guerra
mundial. As famílias eram numerosas e viviam numa dificuldade
impar, não havia que comer, não havia que comprar e a escassez
de alimentos agravava-se devido à austeridade imposta pelo
governo da época. A oferta do trabalho era nula e perante este
cenário sombrio não restava mais do que procurar fora o que não
tínhamos no nosso país. Deu-se então um fenómeno social: - A
Emigração.
Este
fenómeno também foi originado por outras circunstâncias de
vária ordem e de diversa natureza, como por exemplo: - As
perseguições de natureza politica, a falta de liberdade de
expressão, a guerra nas antigas colónias e a fuga ao serviço
militar.
Eis
pois, os motivos pelos quais se deu o êxodo.
Segundo
a estatística, os países mais procurados foram os mais
industrializados da Europa ocidental como a França, a Alemanha, o
Luxemburgo e mais recentemente a Suiça. Oficialmente foram
registados cerca de um milhão de pessoas que saíram do Norte de
Portugal entre 1950 e 1980. Mas não foi só a Europa o destino
dos portugueses, sabe-se que neste momento existem 4,6 milhões de
portugueses espalhados por todo o mundo, sendo distribuíos do
seguinte modo:
- Europa:
1.336.700 África: 564.000
América do Norte: 1.000.000 América Central:
35.000 América do Sul: 1.600.000
Ásia: 30.000 Oceânia: 55.000.
Falta
ainda adicionar a estes números, muitos outros emigrantes que
vivem na clandestinidade.
Em busca
do incerto e do incógnito perigo debate-se por uma fama que o
exalte e lisonjeie. Parte para o estrangeiro e ali se fixa em
condições precárias. Cabanas cobertas de zinco, onde o frio se
instala à mercê da sua vontade, a água da chuva que de
enxurrada penetra a seu belo prazer na sua habitação, vive a
favor das intempéries das doenças afim de forrar mais uns cobres
para a subsistência da família que deixara em Portugal.
Desconhecedor da língua estrangeira, a solidão, as saudades, as
lágrimas e os sacrifícios eram a sua companhia mês após mês,
era ainda confrontado com atitudes xenófobas e racistas. Triste
era a sorte e estranha a condição.
Estas
foram as condições que muitos dos nossos emigrantes enfrentaram
anos e anos a fio. Valeu a pena? Certamente que sim, mas deixou
profundas cicatrizes tanto a nível social e cultural como a
nível familiar.
Não
obstante todas estas situações críticas, os portugueses
conseguiram melhorar as condições de vida através de um
espírito forte de trabalhadores e lutadores persistentes,
atributos que os classificam e que lhes foram reconhecidos por
todos os países por onde se espalharam. Com efeito, puderam
chamar até si as suas famílias e aí radicados passaram a ter
uma vida que um dia sonharam, uma vida sem angustia e uma vida sem
solidão. A maioria dos nossos conterrâneos emigrantes escolhe o
mês de Agosto para passar as suas férias na terra natal e vemos
que são pessoas felizes, triunfantes e realizadas.
Foi bom
para eles, foi óptimo para os seus familiares, mas não nos
podemos esquecer como eles contribuíram para o progresso do nosso
país. A construção de casas, os movimentos bancários e muitos
outros investimentos que efectuaram em Portugal não podem ser
esquecidos, eu agradeço, nós agradecemos… Portugal agradece.
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