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Estava-se, então,
no ano de 1985 quando o TORRES.C. participou pela primeira vez no
campeonato de distrital de futebol de Viana do Castelo. Os sócios
e simpatizantes juntavam-se no Campo dos Monções, quando o TORRE
S.C. jogava em casa, apoiando os seus jogadores, dando-lhes gritos
de incentivo, mostrar-lhes que não estavam sozinhos. É com
nostalgia que me recordo do bairrismo com que presenteavam a
equipa e seus dirigentes. Tudo parecia perfeito, havia união e
espírito de entreajuda.
Os campeonatos
foram-se sucedendo uns aos outros, o TORRE S.C. ia oscilando na
tabela classificativa, mas o apoio dos torreenses não fraquejava.
Como em tudo na
vida, as dificuldades acentuavam-se, havia muitas despesas como o
policiamento dos jogos, os prémios aos jogadores, a água, a
electricidade, as despesas burocráticas e entre outras também
quando a equipa deixou de ter como base os jogadores da nossa
freguesia; as receitas eram ténues, usufruía-se das receitas de
bilheteira, das quotas dos sócios, de um ou doutro subsídio para
o desporto de departamentos estatais ou regionais, e de uma verba
anual que a junta de freguesia doava ao TORRE S.C., porém, a
imaginação e a capacidade dinâmica dos corpos gerentes do clube
conseguia pôr cobro ao problema financeiro com a participação
num torneio realizado em França. Partiam para a França num
autocarro com os porta-bagagens cheios de vinho do porto, esferográficas,
porta-chaves, t-shirts e outros brindes alusivos ao clube. Tudo
isto se vendia, os nossos emigrantes não olhavam a preços porque
viam este “comércio” como uma ajuda para o clube que
representava a sua terra; trazia-se entre mil a dois mil contos
(cinco mil a dez mil euros) todos os anos que à França se
deslocavam. Conseguia-se, também, uma importante receita oriunda
de um torneio de futebol de cinco que todos os anos durante parte
do mês de Agosto se realizavam.
Assim,
foram os oito anos da existência do TORRE SPORT CLUBE. Nasceu com
esperança, sobreviveu com alguma dificuldade mas muita dedicação,
muito trabalho e até algum prejuízo financeiro de alguns dos
seus colaboradores mais fervorosos; sucumbiu ainda em criança
devido às divergências que se criaram e se alimentaram pela ânsia
do poder. Numa das célebres viagens à França para a participação
num torneio de futebol, o TORRE S.C. foi multado em quatrocentos e
cinquenta contos (dois mil duzentos e cinquenta euros) pelo
transporte indevido de vinho do porto. No meio de mais de vinte
autocarros a polícia francesa foi fiscalizar só o autocarro que
transportava a comitiva do TORRE S.C. numa das portagens já a
mais de cem quilómetros da fronteira. Quando se chegou ao destino
as pessoas que esperavam a o autocarro já sabiam do acontecido.
Na altura não havia ainda telemóvel, nem houve outra
possibilidade de comunicação, então também não houve complicação
de tirar a conclusão mais lógica.
Quando
se utiliza um bem público e não o serve de uma forma isenta de
todos os interesses particulares, labutando só em prol da causa
para os fins a que se destina, então, posso deduzir que as
mazelas vão aparecer levando-a à sua morte. Pois foi a favor de
um bairrismo pacóvio que se ultrapassou todos os limites democráticos
abstraindo-se da defesa dos interesses lavrados em estatutos próprios
e com uma visão de alcance reduzido foi-se cavando a sepultura do
TORRE S.C.
Foi
um sonho lindo com uma realidade de sabor amargo, qual fogo de
artifício que se extingue no céu em dias de festa.
Não
sejamos os cucos da sociedade, criem-se agremiações culturais,
desportivas ou de outra qualquer índole social, mas proponham-se
com objectivos mais fortes…mais altos…mais longos.
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