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O nascimento de um bebé provoca na família uma mudança radical
nos usos e costumes. Para além da alegria do crescimento do
agregado familiar e da continuidade genética, passa a haver uma
preocupação constante e um trabalho assíduo para que nada falte
ao novo sucessor. È a primavera da vida; os primeiros dentes, as
primeiras falas, os primeiros passos… tudo é novidade e é
registado com agrado e satisfação. Os pais idealizam o futuro do
rebento: Um dia será doutor, diz a mãe. Não, diz o pai, tem de
ser engenheiro; mas apesar destas diferenças, ambos concordam que
no futuro vai ser o orgulho deles.
Os primeiros espinhos surgem com o começo da escola (pilar de
sustentação da sociedade). Aprender é um trabalho árduo que
requer acima de tudo força de vontade e obstinação. Ano após ano
os conceitos vão-se assimilando e o aluno entra num processo de
aculturação incessante, a infância e a adolescência são
ultrapassadas rapidamente e defronta-se já no patamar
juvenil.
A juventude é uma fase da vida, na minha opinião, extremamente
problemática. Este Estio em que as temperaturas se colocam em
limiares elevados e as decisões são tomadas de ânimo leve e de
cabeça quente. Esta torridez da vida leva a que muitos jovens se
percam por trilhos desencontrados, e obscuros. As variantes
tentaculares dos vícios são em número elevado e de fácil
opção, e a juventude deixa-se levar facilmente por uma oferta de
prazer gratuito ou por uma outra ramificação tentadora que lhes
oferece a vivência de novas sensações e novas emoções. A
aventura é o lema que rege os jovens, aqui caem pela base todos os
ensinamentos que lhes foram transmitidos. É nesta altura que se
diz: "Isso era no teu tempo", "o Pai está
antiquado", "se não gozar agora, quando vou gozar?",
"estou a trepar com isto", "tem calma que eu é que
sei"…
O tabaco, as bebidas alcoólicas, a prostituição, a droga e as
companhias duvidosas são monstros de olhares estrábicos que
freneticamente labutam à procura desta camada social
proporcionando-lhes a degradação camuflada de uma forma
habilidosamente antolhada e desejada. É aqui onde se esconde a
nossa juventude. Este refúgio juvenil deve ser digladiado de tal
modo que a sua proscrição não seja uma miragem. Surgem, então,
em catadupa medidas repressivas. Os governos dos mais diversos
países tentam apertar o cerco aos responsáveis, a sociedade, de
certa forma, marginaliza os prevaricadores, as instituições de
índole social diligenciam recuperar os arrependidos. Penso que este
não será o curso certo na pugna a este cancro social. Penso que o
mal quando está bastante enraizado é de difícil trato e de
complexa solução. Com efeito, ele deve ser combatido antes de
nascer, isto é, deve ser prevenido. A solução, para mim, está na
família, eis pois, onde reside o âmago da questão.
Lutando para atingir um patamar harmonioso entre todos os membros
do agregado familiar, onde exista uma educação adequada e um
respeito mutuo, onde ninguém faz o que quer mas sim o que é mais
favorável e salutar para o bem-estar familiar; então, estará dado
um passo de gigante para o "terminus" do problema. Mas
para que isso aconteça ter-se-á que avivar o espírito de
família, ter-se-á que redefinir o conceito "Família",
ter-se-á que planear muito bem o espaço dos filhos no seio
familiar. Não se pode entregar à escola a educação dos filhos,
não se pode manda-los calar para se ouvir o telejornal enquanto se
janta, não se pode dizer: "Logo falamos que agora estou
ocupado". O diálogo é o maná da família. Devemos partilhar
as alegrias deles, aconselha-los nas suas dificuldades, dar-lhes a
atenção que merecem, sermos o exemplo aceso de uma vida de paz e
amor. Eles não podem ser o nosso bode expiatório, nós não
devemos fazer parte do problema, mas sim da solução.
O orgulho que se desejava ter dos filhos, tem de ser construído
pelos pais, a transformação de um ser minúsculo num Homem tem de
ser idealizada pelos pais, nada nasce nem nada se cria sem a
transformação (educação) harmonizada e necessária. Eu acredito
que a base fundamental para a construção de uma sociedade mais
justa e mais saudável está na construção de famílias
equilibradas e responsáveis.
Esta juventude que descrevi amadurece e depressa chega à fase
outonal da vida, é a etapa dos frutos, das colheitas e dos
trabalhos. Esta geração vai ter os mesmos ideais e os mesmos
anseios que os seus pais. A vida humana é um ciclo repetitivo, nada
podemos fazer para o alterar, mas podemos, devemos e temos de o
melhorar em qualidade e de lutar por uma sociedade com o equilíbrio
que se exige.
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