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Antes do início da Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia
previamente marcada para do dia 25 de Abril de 2006, os elementos
da Junta e da Assembleia assim como o público que se apresentava
para assistir á referida sessão, deixavam transparecer um
ambiente frio e pesado onde se adivinhava que algo de errado se
escondia por trás dos rostos melancólicos, testas franzidas e
sobrolhos carregados.
Dado o início da reunião e depois de lida a sempre enfadonha
e cansativa acta da anterior sessão, o Senhor Presidente da Junta
(Joaquim da Cruz Araújo) explicou de uma forma repetitiva mas
esclarecedora e transparente de que a gestão da Junta de
freguesia anterior teve um erro de contas de quatrocentos e
setenta e um euros aproximadamente a desfavor da autarquia. È
grave, muito grave, diria até, gravíssimo, não pela quantidade
mas pela qualidade e pelas desculpas esfarrapadas onde se quiseram
esconder. A aflição pairava pela oposição e seus familiares
presentes na sala. Como era difícil dizer que não era bem assim,
que o banco se atrasou no envio do documento, que a culpa era e
ficaria solteira; mas contra factos não há argumentos e o
processo será enviado para o Tribunal de Contas a fim de
descortinar os prevaricadores, se os houver, e responsabiliza-los
ou iliba-los pelos actos praticados.
No fim de serem executadas todas as formalidades e de serem
debatidos e esclarecidos todos os pontos que previamente foram
oficializados em editais expostos nos lugares do costume, deu-se a
voz a quem mais ordena: ao Povo. Pela vez da inscrição as
pessoas do público foram dizendo o que lhes ia na alma. Foi dito
que a Assembleia de Freguesia debatia os assuntos de uma forma
pouco esclarecedora de modo de que deveria ser contratado alguém
que traduzisse o português falado nas Assembleias. Sugeriu-se um
professor. Penso que a razão está do lado do autor da ideia,
pois um formado em psicopatologia seria o indicado para desanuviar
mentes obstruídas e assim obter uma melhor e maior clarificação
para assuntos que já por si são cristalinos. A este respeito diz
o povo que de sábio e de louco todos temos um pouco.
Comentou a oposição que no dia da festa de Nossa Senhora do
Corporal de este ano a Junta de Freguesia se esqueceu de hastear
as bandeiras contudo esqueceu-se que quando o Papa João Paulo II
morreu o governo de Portugal decretou três dias de luto Nacional
e a Junta de Freguesia ignorou-o não desfraldando a bandeira a
meia haste. Aqui se aplica a história do argueiro da trave e do
olho…
Entre elogios e reprimendas, coisas de relevância e coisas
fúteis, sensatez e devaneio, cortesia e infâmia decorria a
reunião, passando até pelo lavar de roupa suja, perante
episódios e palavras que a prudência me leva a omiti-los.
Assistia perplexo o inadequado responsável por tudo o que se
estava a decorrer.
É impreterível que se cumpra e faça cumprir a Lei. Quando se
põe em causa o bom senso e a boa conduta de palavras e acções
deve quem de direito fazer ver que o descarrilamento é
prejudicial não só para emissor como para o recebedor mesmo que
não seja o visado. Ninguém é bom juiz por conta própria,
portanto...
Por entre um forte cheiro a pólvora seca, terminou a reunião
num descalabro total com remates sinuosos e intrigantes de
trapaceiros e vigaristas.
Sou de acordo de que o nível moral e intelectual destas
reuniões é muito baixo... a culpa não está no nível mas sim
em quem o baixa.
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