Crónicas

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Reunião da discórdia
José António Martins
Maio 2006

Antes do início da Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia previamente marcada para do dia 25 de Abril de 2006, os elementos da Junta e da Assembleia assim como o público que se apresentava para assistir á referida sessão, deixavam transparecer um ambiente frio e pesado onde se adivinhava que algo de errado se escondia por trás dos rostos melancólicos, testas franzidas e sobrolhos carregados. 

Dado o início da reunião e depois de lida a sempre enfadonha e cansativa acta da anterior sessão, o Senhor Presidente da Junta (Joaquim da Cruz Araújo) explicou de uma forma repetitiva mas esclarecedora e transparente de que a gestão da Junta de freguesia anterior teve um erro de contas de quatrocentos e setenta e um euros aproximadamente a desfavor da autarquia. È grave, muito grave, diria até, gravíssimo, não pela quantidade mas pela qualidade e pelas desculpas esfarrapadas onde se quiseram esconder. A aflição pairava pela oposição e seus familiares presentes na sala. Como era difícil dizer que não era bem assim, que o banco se atrasou no envio do documento, que a culpa era e ficaria solteira; mas contra factos não há argumentos e o processo será enviado para o Tribunal de Contas a fim de descortinar os prevaricadores, se os houver, e responsabiliza-los ou iliba-los pelos actos praticados. 

No fim de serem executadas todas as formalidades e de serem debatidos e esclarecidos todos os pontos que previamente foram oficializados em editais expostos nos lugares do costume, deu-se a voz a quem mais ordena: ao Povo. Pela vez da inscrição as pessoas do público foram dizendo o que lhes ia na alma. Foi dito que a Assembleia de Freguesia debatia os assuntos de uma forma pouco esclarecedora de modo de que deveria ser contratado alguém que traduzisse o português falado nas Assembleias. Sugeriu-se um professor. Penso que a razão está do lado do autor da ideia, pois um formado em psicopatologia seria o indicado para desanuviar mentes obstruídas e assim obter uma melhor e maior clarificação para assuntos que já por si são cristalinos. A este respeito diz o povo que de sábio e de louco todos temos um pouco. 

Comentou a oposição que no dia da festa de Nossa Senhora do Corporal de este ano a Junta de Freguesia se esqueceu de hastear as bandeiras contudo esqueceu-se que quando o Papa João Paulo II morreu o governo de Portugal decretou três dias de luto Nacional e a Junta de Freguesia ignorou-o não desfraldando a bandeira a meia haste. Aqui se aplica a história do argueiro da trave e do olho… 

Entre elogios e reprimendas, coisas de relevância e coisas fúteis, sensatez e devaneio, cortesia e infâmia decorria a reunião, passando até pelo lavar de roupa suja, perante episódios e palavras que a prudência me leva a omiti-los. Assistia perplexo o inadequado responsável por tudo o que se estava a decorrer. 

É impreterível que se cumpra e faça cumprir a Lei. Quando se põe em causa o bom senso e a boa conduta de palavras e acções deve quem de direito fazer ver que o descarrilamento é prejudicial não só para emissor como para o recebedor mesmo que não seja o visado. Ninguém é bom juiz por conta própria, portanto... 

Por entre um forte cheiro a pólvora seca, terminou a reunião num descalabro total com remates sinuosos e intrigantes de trapaceiros e vigaristas. 

Sou de acordo de que o nível moral e intelectual destas reuniões é muito baixo... a culpa não está no nível mas sim em quem o baixa.

 

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