Crónicas

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Crenças e crendices
José António Martins
Junho 2006

A maioria das pessoas precisa de acreditar em ideias pelas quais orientam a sua vivência. Assim sendo, é a fé em algo não explicável que os dogmatiza e que em muitos casos os leva a excessos de fanatismo puro, ao ponto de privar a liberdade do semelhante quando este não comunga do mesmo credo, quando se desvia um pouco dos deveres e dos preceitos religiosos, ou se atropela a forma rectilínea da doutrina. Outrora, até se criavam exércitos para combater, perseguir e matar os ímpios. Estas crenças denominam-se normalmente por religiões. Nenhuma das religiões deixa de ter a sua vergonhosa história; todas elas foram benzidas com sangue inocente de profanos, ateus ou descrentes. 

As religiões dividem-se fundamentalmente em duas vertentes: religiões politeístas e religiões monoteístas. Tanto umas como as outras são numerosas e antiquíssimas, porém hoje em dia nascem novas filosofias religiosas diferenciando-se das existentes talvez em pequenos detalhes, mas são baptizadas com outro nome e lançam-se á conquista de seguidores que com as suas dizimas as fazem prevalecer. 

Dizimas, décimas, premissas … ou outras denominações com a mesma finalidade: extorquir dinheiro do bolso dos que crêem, esperam e adoram para os cofres dos que ostentam riqueza poder e influência. 

Em pleno século XXl constatamos que os responsáveis mais próximos das religiões não são reconhecidos pela prática da caridade ou da humildade ou ainda da misericórdia mas sim pelo uso da soberba da avareza e da luxúria. 

Este procedimento leva até o mais distraído a afastar-se e a seguir caminhos menos sinuosos, porque isto de defender uma tese doutrinária e de praticar outra totalmente oposta fazendo valer o chavão "Olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço" não está certo. Assim não pode ser, o exemplo tem de vir de cima, assim a religião só serve os fanáticos, as beatas, os ignorantes e os hipócritas. Uma religião que se diz ter uma dimensão universal tem de rever os seus critérios e ajusta-los ao cerne da filosofia religiosa em que se baseia e não ajusta-los ao seu próprio interesse. 

Sou dos que defendem de que não estamos sós, de que não somos os superiores, de que natureza é conferida por algo ou alguém superior, poderoso, omnipotente e omnisciente. Este foi o credo que me ensinaram, esta é a minha fé e aqui presto vassalagem ao Ser Criador; a Deus. 

Ninguém me consegue provar de que estou a trilhar o caminho certo ou errado e eu também não consigo dizer que os outros é que estão mal encaminhados, portanto, devemos conviver em sociedade e ser livres de ter os nossos ideais e a nossa fé de modo a que não criemos conflitos com os credos distintos dos nossos.

 

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