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Sempre
que me debruço para redigir um tema é porque tenho um objectivo
em mente mas hoje, confesso que me deparo com alguma dificuldade
em elaborar a crónica. Este meu embaraço, prende-se não
motivado pelo abandono da musa inspiradora mas pela inexistência
de assuntos dignos de alerta.
Longe
vão os tempos dos atropelos à normalidade social, aí havia pano
para mangas, a fim de poder dar largas à imaginação brincando
corrigindo e alertando para situações que me pareciam anómalas.
Hoje
parece que vivemos no vale das sombras, onde tudo se passa em câmara
lenta com visão desfocada e distorcida. Meu Deus! Que tédio
deste viver penumbrante, onde nada se passa, nada se sabe e nada
se comenta; parece que se vive num Limbo onde o Paraíso está ali
tão perto e o Inferno ao limiar da nossa visão mas ambos inacessíveis.
A
escassez do progresso, é justificada por falta de verbas
escondidas em Protocolos assinados sem data de validade, bem
sustentado pela apática posição de quem poderia e deveria ser
mais persistente, mais convincente e mais persuasivo. Eu sei que
lutar por aquilo que nos move é francamente cansativo -mas
fortalece… lembrem-se.
Os
hábitos provincianos conduzem-nos a uma subordinação e
vassalagem aos que repartem os dinheiros públicos. Não é
armando-se em concubinas da edilidade, nem com grosseirismos,
arrogância ou outro tipo de violência verbal que se leva a água
ao moinho mas é, apoiados na Lei e no direito que ela nos dá em
reivindicar o que nos é devido, fazendo ver, que por vezes, as
verbas foram distribuídas para locais onde já foram
ultrapassados os seus orçamentos.
Sei
que isto não são contas do meu rosário, mas constrange-me muito
ver toda esta melancolia. Outrora apelidei-a de férias hoje chamo-lhe de trabalho em “part time”.
Não
queria deixar de registar aqui que me passou pelas mãos uma
missiva anónima escrita em nome do povo com um “chorrilho” de
palavras perversas direccionadas a uma pessoa no singular
insultando-a de uma forma barata semeando objectivamente o ódio e
a vingança.
Não
é um modo de vida fácil e de bem-estar, fazer crítica, e se o
é, é-o somente no que respeita à satisfação íntima de dizer
a verdade, incidindo-se sempre numa luta constante contra a dependência
de modo a não deixar de perverter a opinião. A crítica ideal é
necessariamente imparcial.
Este
é o meu modo de estar em sociedade, é o meu veneno mas também
é o remédio do meu mal. Não pretendo com isto ser defensor de
ninguém nem fiscal de nada, apenas me exponho com os meus
pensamentos.
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