Marcos Divisórios da Freguesia

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Decidimos tomar a iniciativa de publicar um tema sobre os marcos divisórios desta freguesia, indicando os locais onde se encontram, bem como um pouco da sua história para que, no futuro, o tema não caia no esquecimento e, ainda, para que possamos ficar a saber mais um pouco sobre a nossa aldeia.

Recorremos a várias pessoas que nos deram uma preciosa ajuda quer na localização dos marcos, quer no seu enquadramento histórico.

A Junta de Freguesia forneceu-nos fotografias dos marcos, e contou-nos um pouco da sua história actual, sobretudo do marco divisório de Torre – Nogueira – Meixedo, o qual nos foi mostrado "in loco" pelo  Sr. João Rodrigues Pereira, presidente da Junta desta Freguesia na altura. O Dr Carlindo Vieira aprofundou a vertente histórica relativa ao assunto.

Por seu lado, o nosso tio avô – José Amorim – que calcorreou inúmeras vezes os locais onde se encontram alguns dos marcos, não só nas deslocações que fazia para a “pesqueira” que, quase sempre se situava para baixo de Cardielos, por imposição das marés, mas ainda quando, na altura da matança do porco ia buscar loureiro para defumar os chouriços de carne, arbusto que abundava no local, (daí ser conhecido pelo sítio dos “Loureiros” no Atranco), descreveu-nos pormenorizadamente a localização de quatro deles. Muito graças a ele, demos facilmente com todos.

Partimos então para o terreno, devidamente preparados para enfrentar o mato e a lama que nesta altura do ano abundam naquelas paragens. Tiramos novas fotografias, não só aos marcos mas também ao seu enquadramento para facilitar a localização, e preparamos um trabalho que vamos de seguida apresentar:


Existem ao todo (conhecidos), 5 marcos divisórios da Freguesia de São Salvador da Torre. Quatro estão na extrema com Cardielos, e um está (ou estava) a delimitar a nossa freguesia com Nogueira e Meixedo. Todos eles são de granito, de formato rectangular e de vulto razoável. A colocação destes marcos não foi feita por esta freguesia, ficando assim o acto por mãos alheias assim como o mérito para os que, naquela altura, decidiram tomar a iniciativa.

Por uma questão de ordem vamos partir do Rio Lima e acabar nos limites com Nogueira e Meixedo. Sendo assim:


O primeiro marco está perto do Rio Lima englobado numa enfiada de pedras, de vulto razoável que parte de junto da boca do poço do Atranco em direcção à Quinta de Sto. Isidoro, precisamente no ângulo onde essa enfiada muda de direcção para Poente (sentido de Viana). Este marco está rodeado de silvas e alguns eucaliptos jovens. Encontra-se de pé e em bom estado de conservação. Nele está esculpida do lado poente (virado a Cardielos), uma cruz e os dizeres “STiago de Cardiellos Junho 24 de 1743” e nota-se que foram avivados recentemente a tinta preta. Do lado oposto – Nascente – nenhum canteiro lhe chegou ponteiro, sendo o marco completamente liso. Tendo em conta que o dia 24 de Julho é o dia de São Tiago de Cardielos, precisamente um mês depois da data indicada no marco, pode ser que haja alguma relação, embora seja apenas uma suposição.



Face virada a Poente (Cardielos)

Face virada a Nascente (São Salvador da Torre)



Vista para o Rio Lima


O segundo marco é igual ao primeiro, encontra-se no fim da enfiada de pedras do marco anterior, que é cortada pelo caminho que segue para Cardielos. Para encontrar este marco, há que seguir a enfiada de pedras para lá do caminho até ao seu fim. O marco não está integrado na enfiada mas encostado a ela, do lado do Rio Lima. Encontra-se parcialmente enterrado, estando apenas cerca de meio metro acima do solo. Foi colocada uma estaca para facilitar a sua localização. Este marco não tem as letras avivadas, nem elas estão todas à vista, e pelo que depreendemos, os dizeres são iguais aos do primeiro, assim como as restantes características. Devido ao terreno e à vegetação, estas foram as fotos possíveis:

 

Pormenor Vista do lado Poente com São Salvador de fundo Um dos acessos ao local

O terceiro marco, igual aos dois primeiros, encontra-se na berma do caminho junto aos Monções, que vai da estrada Nacional 202, (perto da ponte de Cardielos), para o Rio Lima/Atranco, no lado oposto do muro da Quinta de Sto. Isidoro, a uns metros do início dele, quem vem da estrada Nacional. Como nos anteriores, a cruz e os caracteres estão gravados no lado de Cardielos, estes também reavivados recentemente. Está a pé e em bom estado, embora a vegetação teime em apoderar-se dele.
Marco com a Quinta de Sto. Isidoro de fundo Face virada a Cardielos Face virada a São Salvador, e a curva do caminho

O quarto marco encontra-se no terreno situado a Norte da estrada Nacional 202, antes do rego de Cardielos (quem vai para Cardielos) a poucos metros deste, e ao lado do muro de blocos de cimento, existente no local. Está a cerca de 15 cm fora da terra e quase coberto por erva! Pela configuração da parte visível, tudo nos leva a crer que seja igual aos anteriores e tenha a mesma cruz e os mesmos dizeres. A verdade só se saberá depois de desenterrado. Presume-se que esteja inteiro e em bom estado.


Vista para Cardielos com a antiga ponte do lado esquerdo. (A actual passa mesmo ao lado)


Vista para São Salvador da Torre, com a rotunda de acesso ao IP9 de fundo.


O quinto marco (último conhecido) delimitou em tempos, na Breia, as freguesias de Torre, Nogueira e Meixedo. A certa altura, houve um proprietário que pegou nele e colocou-o na sua propriedade a servir de suporte à cancela de entrada. Hoje ainda está nesse sítio, mas rodeado de mato e pinheiros. Está em pé, e são notórias as mutilações que sofreu ao longo dos anos. Está na Breia, em terreno que não pertence à freguesia, e o seu acesso é feito através do caminho mostrado em baixo, na figura da direita, a cerca de 20 metros dali. Perceptível é apenas a inscrição numa face, onde aparece uma cruz e a data de 1730. Foi-nos dito que houve um tentativa de recolocar o marco no local onde se encontrava originalmente, mas essa tentativa falhou por motivos alheios à freguesia. O local onde se fala ser o que originalmente se encontrava é por si só curioso, pois é em terreno já de Nogueira. Informaram-nos que até os mais antigos e credíveis anciãos desta freguesia (alguns já falecidos) diziam que sempre se lembraram do marco ali. Será que sempre foi aquele o seu lugar original, ou será que há muito tempo atrás ele teria estado noutro sítio, esse sim de fronteira, e depois o tenham deslocado para ali?...

Vista das imediações, com a Breia de fundo A face escrita do marco Local onde supostamente deveria estar

Esperamos que com este trabalho fique a conhecer mais um pouco sobre esta Aldeia. Se tiver alguma informação ou souber algo mais sobre o assunto, entre em contacto connosco. Teremos todo o gosto em corrigir, alterar, aumentar ou complementar este trabalho, desde que nos cheguem elementos para o fazer.

A todos que concorreram para que pudéssemos concretizar este trabalho ou venham a concorrer para que ele seja enriquecido, manifestamos o nosso agradecimento e reconhecimento.

Torre, Março de 2003.  

 

Agradecemos a:
José do Esteiro Amorim
António Alves da Rocha
Carlindo Vieira
e aos
Membros da Junta de Freguesia

Texto: António Alves da Rocha e António Rocha
Imagens: António Rocha
Montagem: António Rocha e José Rocha

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