Rua da Veiga

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" Trata-se da Estradinha da Veiga, construída em 1940, para comemorar o terceiro centenário da Restauração.

Os etimologistas tém dúvidas, acerca da origem do vocábulo «Veiga». Augusto Moreno, no seu dicionário, afirma: -« talvez do Vasc. «Ibaiko».

Composta por dezenas de vessadas, é uma grande superfície de terreno, junto ao rio, para produção de cereais e com pauis para o pasto dos animais.

Nas lavradas da Veiga, as vessadas viram umas sobre as outras e, por isso, devem «dar rego» umas às outras. Como são muitas, agrupam-se em parcelas de oito a dez vessadas. Num ano, viram acima, no outro viram abaixo. ..."

Carlindo Vieira. (2001) Atribuição de Toponímia aos Arruamentos da Freguesia de Torre. Junta de Freguesia de Torre (São Salvador). Viana do Castelo.  p.18 

A rua da Veiga é uma das mais bonitas passagens que existem na freguesia. O seu traço original ainda se conserva, tornando-a num verdadeiro monumento ao passado, e atravessá-la proporciona belíssimas paisagens do local, que vão mudando ao longo do ano. Tendo como extremos o Rio Lima e a Estrada Nacional nº 202, na curva do Lameiro. Vamos dar a conhecer um pouco da história desta edificação.


Paisagem oferecida pela rua da Veiga em meados de Janeiro

Antes desta construção, o acesso às veigas era feito pela rampa da Mata, caminho que hoje dá acesso à chamada Foz, quase no limite Norte - Nascente da freguesia. Era necessário percorrer toda a sua extensão, para chegar às leiras próximas do Esteiro. O aceso pela curva do Lameiro não existia, e era pertinente a abertura de um traçado de acesso mais fácil àquelas zonas.

Constituíam a Junta de Freguesia desde 1938, Manuel Joaquim Gonçalves Araújo, António Martins e Manuel Francisco da Bouça, quando segundo os documentos existentes nos arquivos da mesma, em Setembro de 1939 os trabalhos do "...novo caminho do Esteiro para a Veiga acabavam de ser inaugurados pela Exmª Câmara Municipal d'este Concelho e prosseguiriam sob a sua boa direcção". Esta obra teve no Ministério das Obras Públicas de então, o processo nº 1590.

Em Abril de 1940 "...foi ponderado que, como é do conhecimento de todos e várias vezes verificado pelos Senhores Engenheiros da Zona número um, os trabalhos do Novo Caminho do Esteiro para a Veiga, se encontravam paralizados, devido às grandes e constantes inundações provocadas pelas cheias do Rio Lima...".  Foi nesse mês também, recebida da Junta Autónoma de Estradas a 1ª prestação respeitante à construção do caminho para a Veiga, verba que iria ser entregue à Câmara "...em virtude de ser ela que está à frente das obras".

Em Agosto do mesmo ano foi recebida a segunda prestação da Junta Autónoma de Estradas, e em dezassete de Novembro foi recebida a 3ª, pressupondo a sua conclusão.

Recorrendo à memória do José Amorim, ficamos a saber que esta obra esteve a cargo do Mestre Rocha de Serreleis, que a pedra dos muros veio de Cardielos e o paralelo do pavimento veio das pedreiras de Deão, tendo a travessia do rio, do referido paralelo,  sido feita no barco do Manuel Fernandes, mais conhecido pelo Quitéria.

Com uma extensão de cerca de 400 metros, a via tem uma largura de 4, sendo o seu piso em paralelos (a) com uma ligeira inclinação do centro para os lados, para escoamento das águas; ladeados por cápeas graníticas (b) de 60cm de largura que encimam os muros laterais (c).   A caixa formada pelos muros laterais foi cheia com areia do Rio Lima e algum aterro (d). Na parte mais alta do traçado - aquela onde é atravessada pelo rego do Juncal, também conhecido como rego da Lagoa, a sua altura é de 2 metros.

Ao longo do seu trajecto encontramos aquedutos em  diferentes locais . Três deles, de espaço razoável dão passagem às águas do rego do Juncal, antes referido, que seguem o seu curso até ao poço do Esteiro. Nos outros locais, os aquedutos, aos pares, têm de 1 metro de altura, e 80 cm de largura. A razão da sua existência deve-se ao facto da necessidade de dar passagem às aguas que normalmente todos os Invernos invadiam a Veiga, várias vezes, antes do rio ser desassoreado pelas dragas nas décadas de 70 e 80.


Uma das descidas e passagens para a àgua


O aqueduto por onde passa o rego do Juncal

De referir também a existência das descidas da estradinha, usualmente denominadas de linguetas.  As duas 1ªs. estavam no fim da descida, a seguir à Estrada Nacional, e davam acesso aos terrenos dos Bargães e Galinha pelo lado Sul e ao lavradio do Juncal pelo lado Norte. Estas descidas eram paralelas à estradinha, e a do lado Sul foi deslocada devido à abertura e alargamento da rua do Juncal ficando agora obliqua, e com uma largura de 3 metros, a do lado Norte quase não se vê devido à vegetação e à acumulação de terras. Mais à frente existe outra descida virada a Norte, perpendicular à estradinha, que dá acesso ao paul do Juncal, também com 3 metros de largura, e depois do rego existem mais duas, também perpendiculares, dando a que está virada a Norte acesso à lagoa da Veiga, e a virada Sul à Lagoa do Esteirinho. Estas são de 4 metros de largura


A descida que dá acesso à Lagoa do Esteirinho

63 anos depois da sua construção, podemos encontrar a obra no seu todo quase intacta. No entanto, a inclinação que o piso tinha para a drenagem das aguas pluviais já não existe. As pedras dos muros laterais já se encontram um pouco deslocadas, tendo já havido a necessidade de corte de arvores para impedir a destruição dos muros. Nalguns locais a vegetação quase invade a via.


Pormenor de pedras deslocadas.


Arvore cortada, cujas raízes estavam a destruir o muro.

Esperamos que se encontre a melhor solução para que possamos manter um importante legado do nosso passado e transmiti-lo às gerações vindouras.

Agradecemos a:
José do Esteiro Amorim
António Alves da Rocha
João Rodrigues Pereira

Texto: António Alves da Rocha e António Rocha
Imagens e desenho: António Rocha
Montagem: António Rocha

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