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A freguesia de São Salvador da Torre nasceu
à sombra do convento.
Do seu padroeiro herdou-lhe o nome - S. SALVADOR --, a que mais tarde em tempos de ocupação
mourisca, lhe juntou o apelido de TORRE.
Este convento foi criado e gerido, durante
muitos anos, pelos monges beneditinos e, após uma época de menor
esplendor, passou para a ordem dominicana.
Durante as centenas de anos da sua expressiva
existência, com este convento estiveram relacionadas várias
personalidades históricas, quer de índole religiosa, quer de âmbito
laical.
Umas, inteiramente ligadas à instituição,
como Abades (entre outros, D. Vasco de Miranda) e Comendatários
(entre outros, D. Cristóvão de Almeida, cuja sepultura se
encontra na capela-mor da Igreja); outras, porque por aqui
passaram ou porque tomaram decisões oficiais e públicas que
tiveram a ver com a vida deste convento.
Entre outros elementos de ordem secular,
quero salientar, em primeiro lugar, o relacionamento havido com o
nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques que, por aqui passou «a
recrutar homens e haveres» para a luta com Castela e que, em
paga, pelos serviços e doações do mosteiro, lhe outorgou dois
realengos coutos.
São ainda de salientar as passagens de D.
Dinis e sua extremosa esposa, a Rainha Santa Isabel, de António
Prior do Crato que, ao que tudo indica, por aqui passaram e
repousaram, a caminho de Santiago de Compostela.
Entre as personalidades de índole religiosa,
cabe-me destacar, antes de mais, o Papa Júlio III que, por Bula
Pontífica de 1554, autorizou a «construção da Ermida de Santo
Isidoro, em terras do mosteiro» e à qual concedeu, em generoso
jubileu, determinadas indulgências que os fiéis poderiam lucrar
nas condições canónicas previstas, na bula da erecção.
Merece também referência o Arcebispo de
Braga, D. Godinho (1175-1188) que, segundo a inscrição recentemente descoberta no pórtico que dava acesso dos monges ao
velho cenóbio, teria mandado construir ou reconstruir o mosteiro,
segundo uns no ano de 1120, segundo outros no anos de 1238
Invoco, em seguida, Afonso Rocha que, em
1440, reconstruiu a capela do adro e cujo padroado entregou à
Senhora do Corporal, sendo, por isso, o criador da festa desta Senhora
(também chamada "festa dos folares") que, todos os anos se realiza, na nossa paróquia, no Domingo de
Pascoela. (A esta personalidade deve também a freguesia uma
homenagem)
Refiro-me, ainda, a muitos bispos de Tuy que,
por na altura estas terras estarem debaixo da jurisdição daquela
diocese, aqui faziam a estatuária Visitação Canónica,
acompanhados de numerosa comitiva, «que não podia exceder o número
de vinte.».
Por fim, e os últimos são os primeiros, é
justo indicar D. Frei Bartolomeu dos mártires, que foi arcebispo
de Braga, de feliz memória.
Foi ele que, em 1562, obteve a Bula Papal
para anexar o nosso mosteiro ao convento de S. Domingos em Viana.
Segundo a tradição, este «santo»
arcebispo, na altura arcebispo emérito da Sé de Braga, teve
neste mosteiro cela particular e, para descansar das inúmeras e
cansativas actividades pastorais, muitas vezes para aqui se
dirigia, ora de barco, rio acima, ora numa mula castanha.
Diz o seu biógrafo que, quando deixava o
convento de Viana e se dirigia para o rio, era sempre acompanhado
por uma enorme multidão de pessoas. O mesmo se notava, no
regresso.
A actividade cultural e pastoral, cheia de
prestígio e santidade, deste grande arcebispo, já foi
suficientemente avaliada e apreciada por quem de direito.
Foi essa apreciação que levou o Papa João
Paulo II a elevá-la à categoria de Beato da Santa Igreja Católica,
com festa litúrgica no dia 18 de Julho de cada ano.
Ora este acontecimento não podia deixar de
ser lembrado e solenizado pela nossa freguesia.
Para celebrar o acontecimento e o recordar
pela vida fora, entendeu a Junta de freguesia de S. Salvador da
Torre, em nome do povo desta terra, levantar o busto do Beato
Bartolomeu dos Mártires, como preito de homenagem e gratidão a tão
ilustre vulto da Igreja, que nos honrou com o seu exemplo e sua
presença.
Por sua vez, a Comissão Fabriqueira, no dia
04 de Março de 2003 entronizou numa peanha da Igreja Paroquial a
imagem do “Arcebispo Santo”, para veneração dos muitos devotos que tem nesta freguesia.
É a primeira imagem, a nível mundial, em
honra do Beato Bartolomeu dos Mártires.
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