Viver melhor

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Vencer Barreiras
Texto: Magda Borges
Imagem: José Rocha

Chegou o Verão, as férias, a praia, os concertos de Verão, as viagens, os emigrantes e o movimento nas estradas torna-se alucinante. São as esperas intermináveis nas filas de trânsito assim como o excesso de velocidade para chegar ao trabalho, à praia ou ao destino das férias que levam a alguns de nós a cometer atitudes menos cívicas e que por vezes terminam da pior maneira. 

Quem é que ainda não viu a publicidade da rodoviária portuguesa, em que um jovem, devido a um acidente, ficou incapacitado e agarrado a uma cadeira de rodas? Quem é que não conhece, pelo menos, uma pessoa que vive dependente de uma cadeira de rodas, de canadianas ou até mesmo de terceiros que o ajudam a sobreviver ao que restou de um acidente de viação ou de trabalho? Quem é que não conhece alguém que tenha nascido com uma deficiência? 

Todo o ser humano aspira por uma qualidade de vida que possa satisfazer as suas necessidades quotidianas, como ter uma habitação e/ou meios de transporte adequados às suas capacidades funcionais, poder movimentar-se sem entraves e frequentar facilmente espaços públicos. 

Contudo o número de pessoas com perda de autonomia ou em situação de dependência, aumenta consideravelmente ao longo dos anos. É importante, então, defender o princípio da igualdade, o direito à qualidade de vida, à educação e ciência e consagrar os direitos dos cidadãos com deficiência. 

É esta perspectiva que torna imperativa a eliminação de barreiras, designadamente urbanísticas e arquitectónicas, criando condições para que todos os cidadãos, inclusivé pessoas com deficiência motora, sensorial e intelectual ou com mobilidade reduzida, possam aceder a todos os sistemas e serviços da comunidade, a fim de efectivar os direitos consagrados na Constituição e gozar de uma cidadania plena e sem condicionalismos.

 É prioritário uma mudança de mentalidades, para que o reconhecimento das deficiências seja parte integrante dos hábitos culturais dos agentes da construção civil e do urbanismo, de modo a haver uma integração ou reintegração social destas pessoas, sem menosprezar o seu valor como ser humano evitando, assim, o seu isolamento e/ou discriminação. 

Diversas organizações internacionais, nomeadamente a ONU e as suas agências especializadas, o Conselho da Europa e a União Europeia, desenvolveram acções no sentido de promover a melhoria das condições de vida, o desenvolvimento dos valores humanos e os direitos do Homem e da integração de pessoas com deficiência. 

Portugal como membro integrante das organizações supracitadas, e consciente da importância da supressão das barreiras urbanísticas e arquitectónicas no processo de integração social de pessoas com mobilidade condicionada ou portadora de qualquer outra deficiência, permanente ou temporária, e respeitando o princípio da igualdade consagrado na lei fundamental, elaborou o Decreto-Lei nº-123/97, de 22 de Maio de 1997, que permite o alargamento do conceito de acessibilidade a todos os cidadãos, sem excepção.

O facto de nesta freguesia o número de torreenses com deficiência ser muito reduzido, não é argumento para que não se criem acessibilidades, embora tal não se verifique. Os agentes de construção que operam nesta aldeia, e não só, devem estar cientes das dificuldades que as pessoas com deficiência passam no seu dia-a-dia, devido, em parte, ao egoísmo daqueles que felizmente, não possuem qualquer tipo de deficiência, quer física quer intelectual ou psíquica. Não basta cumprir a lei, é necessário compreender que é preciso construir para todos. 

Nunca é demais relembrar a todos, que qualquer um de nós, a qualquer altura da nossa vida, poderemos ficar condenados a uma cadeira de rodas ou simplesmente com a nossa mobilidade bastante reduzida. Por esse motivo é necessário que haja formação de todos aqueles que trabalham na construção civil, a começar nos arquitectos passando pelos construtores e finalizando nos operários, sem esquecer a importância de uma melhor informação do cidadão.

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